Normalmente, os animais fogem ao tédio ou à solidão; para responder aos seus instintos sexuais caso não estejam esterilizados; em resposta a eventos repentinos e inesperados que os assustam; por curiosidade pelo mundo exterior; por janelas ou portões terem sido deixados abertos; ou, se estiverem numa nova casa, à procura do ambiente circundante anterior.
Dada a sua natureza mais recatada, em princípio, os gatos não se afastarão muito mais do que um quilómetro. Por oposição aos casos de cães desaparecidos (em que a ajuda de terceiros é quase sempre essencial), o êxito na procura de gatos desaparecidos depende quase exclusivamente da insistência e “perícia” de quem os procura.
Desenhe mentalmente um círculo em volta do local onde o seu gato desapareceu. Pense nos locais dentro desse círculo para onde o seu gato provavelmente se deslocaria em procura de comida, de abrigo ou de companhia, ou simplesmente por curiosidade. Uma casa desabitada? Uma arrecadação? Uma casa com animais não esterilizados? Uma zona frequentada por uma colónia de gatos? O seu gato poderá estar assustado/ferido e ter-se escondido em algum sítio de onde não se atreva a sair ou pode ter entretanto ficado preso em algum local (um sótão, uma garagem, etc.).
Com as sugestões abaixo, pretendemos oferecer-lhe algumas linhas de orientação na busca do seu gato. As primeiras 12 horas após um desaparecimento são vitais, pelo que é essencial rapidez de acção. Esperamos que estas indicações o ajudem.
- Certifique-se primeiro de que o seu gato não está dentro de casa! Quem convive com gatos sabe como eles são curiosos e também peritos em "esconder-se". Terá entrado para uma gaveta ou um armário aberto recentemente? Estará a dormitar dentro do guarda-fatos? Estará escondido atrás da televisão ou da cortina? Se não encontrar o seu animal dentro de casa, passe rapidamente à busca no exterior.
- Percorra as proximidades do local de desaparecimento! Percorra a pé as imediações do local de desaparecimento e chame pelo seu gato com calma, utilizando expressões que ele reconheça. É essencial repetir esta rotina diariamente e durante o maior número possível de dias/semanas, com maior intensidade à noite (que é quando tudo está mais calmo e os gatos se mostram mais). Um gato assustado ou num ambiente desconhecido muito dificilmente se mostrará ou responderá ao nome, pelo que é necessária muita persistência da sua parte. Faça os mesmos percursos várias vezes. O seu gato poderá vir a juntar-se a uma colónia de gatos (geralmente, as colónias formam-se onde existe abrigo e uma fonte de alimentação regular), pelo que é importante reforçar as buscas nesses locais e abordar pessoas que alimentem animais de rua.
- Faça sons familiares! Os animais podem ouvi-lo a grandes distâncias. Chame com frequência pelo seu gato, mas com tom de voz calmo. Se ele tiver um brinquedo com guizo/apito, leve-o consigo e utilize-o para fazer sons familiares. Faça outros sons conhecidos do seu gato (abanar o saco de ração, bater com uma colher na lata de comida, etc.), sempre com calma. Ouça com atenção se o seu gato faz algum barulho em resposta.
- Leve uma lanterna com luz forte! Mesmo durante o dia, leve consigo uma lanterna para procurar em locais escuros. Um gato assustado ou magoado irá esconder-se em locais resguardados e não irá ter consigo. Além de procurar em locais escuros, procure também em valetas, caves, barracões, garagens, aterros, contentores, casas devolutas ou em construção, debaixo de carros, etc. Se o seu animal tiver caído, o mais provável é que se tenha escondido logo nas imediações do local da queda (debaixo de um carro, numa garagem, numa cave, num vão de escada, etc.). Se seu animal tiver acesso regular ao exterior ou ao telhado, é possível que tenha ficado preso (num sótão, numa casa devoluta, numa casa em obras).
- Muna-se de transportadora e de comida apelativa!
A distância que os cães percorrem dependerá em grande medida da distância que as suas patas lhes permitem andar. Por exemplo, cães fortes, especialmente se forem novos, podem percorrer oito quilómetros ou mais num único dia. Cães pequenos poderão conseguir percorrer cerca de um quilómetro. A maioria dos cães é bem recuperada num raio de três quilómetros de casa, especialmente porque não costumam percorrer largas distâncias em linha recta, independentemente da sua força ou rapidez. Por exemplo, se se tratar de um cão confiante, ele irá procurar outros cães e outros humanos que sejam amigáveis e que provavelmente o confortem, alimentem e abriguem. Jardins e parques públicos são locais que ele procurará. Pelo contrário, se se tratar de um cão tímido e mais idoso que não confie em estranhos, ele irá esconder-se. Bons locais para isso podem ser os arbustos, um local ermo ou até mesmo debaixo dos carros.
Transporte sempre o seu gato dentro de uma transportadora!
Infelizmente, a maioria das pessoas assume que um animal na rua é sinónimo de ter sido abandonado, mas a verdade é que em muitos casos tratam-se de animais que estão perdidos. Por isso, quando se encontra um animal, deve sempre tentar-se procurar a sua família original. Pode não ser fácil determinar se um animal está perdido, mas há indícios que, isolados ou combinados, poderão apontar para essa possibilidade: o animal tem coleira, peitoral ou trela; apresenta sinais de ter recebido cuidados veterinários recentes (tem um penso ou usa um colar isabelino, por exemplo); parece estar desorientado; está tosquiado; tem as unhas pouco gastas; não está sujo e tem o pêlo bem tratado (mas há que ter em atenção que, em poucos dias na rua, um animal pode ficar sujo e com o pêlo em mau estado); está bem nutrido; está esterilizado; obedece a comandos básicos; não faz as necessidades dentro de casa, ou faz as necessidades no WC apropriado, e demonstra estar habituado a viver dentro de casa; sabe viajar dentro de um automóvel; sabe andar à trela; é meigo e sociável; está habituado a comer ração seca; é de uma raça pouco comum, etc. Em caso de dúvida, é sempre melhor acautelar a possibilidade de o animal estar perdido e recolhê-lo ou, no mínimo, divulgá-lo.